Afroconsciência propõe debate e reflexão sobre o diálogo entre a Educação Superior e Educação Básica na SBPC

Foi realizada nesta quarta-feira (19/07) a reunião Afroconsciência, dentro da programação da SBPC Afro e Indígena, na 69ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). O encontro teve como objetivo promover a reflexão e o debate sobre as interfaces da diversidade étnico-racial entre o Ensino Superior e a Educação Básica. O evento, realizado pela Secretaria de Estado de Educação em parceria com o Centro Pedagógico da EBAP/UFMG e a Faculdade de Educação da UFMG, integra as ações da Campanha Afroconsciência, desenvolvida pelo Governo de Minas Gerais, dentro da perspectiva de sensibilização e formação Docente.   

Na SBPC Afro e Indígena, foram discutidos assuntos relacionados à promoção do diálogo entre as diferentes instâncias de Ensino, com vistas à construção de um panorama prospectivo, para sensibilizar e promover reflexões que resultem em proposições pedagógicas em torno das temáticas voltadas para a Educação das Relações Étnico-Raciais.

Para a coordenadora da Educação das Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola da Secretaria de Estado de Educação (SEE), Andréia Cunha, o evento é importante para potencializar a discussão dentro da comunidade científica e promover o diálogo entre universidade e a educação básica. “É extremamente importante ter este espaço dentro da comunidade científica, ao mesmo tempo em que trazemos as demandas da educação básica para a academia”, comenta.

Na ocasião, foi entregue o “Selo Afroconsciência”, onde a SEE reconhece pessoas que desenvolveram estratégias pedagógicas de valorização da cultura afro-brasileira no currículo, de forma transversal e permanente. As homenageadas foram a professora Shirley Miranda, da Faculdade de Educação da UFMG e a professora e pesquisadora Nilma Lino Gomes, doutora em Antropologia Social pela USP e pós-doutora em Sociologia pela Universidade de Coimbra, e que também foi Ministra das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos, durante o governo Dilma Roussef. Confira vídeo de agradecimento de Nilma abaixo:

A SEE também apresentou as propostas de criação dos Núcleos de Pesquisa e Estudos Africanos e Afro-brasileiros e da Diáspora – NUPPEAAS/MG, iniciativa que tem como finalidade criar um espaço permanente de reflexão, pesquisa e produção científica, cultural e artística que contribuirão para a ressignificar da trajetória escolar dos estudantes das demais escolas de Ensino Médio.

Para dialogar com a comunidade escolar e aprimorar estratégias pedagógicas, a Superintendência de Modalidades e Temáticas Especiais de Ensino da SEE criou oManifesto em favor da Diversidade Étnico-Racial como pressuposto Pedagógico-Curricular para a Educação Básica, que está disponível para assinatura da sociedade civil, movimentos sociais e instituições públicas e privadas através do desteFORMULÁRIO.

Campanha Afroconsciência

A iniciativa promovida pela SEE tem o objetivo de fomentar, por meio de diferentes iniciativas, ações nas unidades escolares para a superação do preconceito racial, na busca pelo reconhecimento e valorização da história e da cultura dos africanos na formação da sociedade brasileira, além de iniciativas que enfrentem o racismo e promovam a igualdade racial no âmbito educacional no Estado.

A base da Campanha é a Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que tornou obrigatório o ensino de história e cultura afrobrasileira nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares no Brasil. De acordo com o texto, os estudos de história e cultura afro-brasileira devem ser ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, de forma a resgatar a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política brasileira. A implementação da Lei 10.639 significa uma ruptura profunda com um tipo de postura pedagógica que não reconhece as diferenças resultantes do processo de formação nacional brasileiro. Outra mudança ocorrida a partir da aprovação dessa Lei foi a inclusão, no calendário escolar, do Dia Nacional da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro.