Estudantes e professores de Belo Horizonte participam da “II Caminhada da Promoção da Igualdade Racial”

Professores e estudantes de escolas estaduais da região central de Belo Horizonte participaram nesta quinta-feira (24/11) da “II Caminhada da Promoção da Igualdade Racial”. A iniciativa, que faz parte das atividades do Mês da Consciência Negra, aconteceu no quarteirão do Instituto de Educação de Minas Gerais, em Belo Horizonte, e teve por objetivo sensibilizar a população sobre a importância de se reconhecer e valorizar a cultura afro-brasileira.

Durante a caminhada, a secretária de Estado de Educação, Macaé Evaristo, destacou que “é muito importante a realização de atividade de promoção da igualdade racial, porque o nosso país tem uma história de luta e convivência entre povos e a gente precisa afirmar a identidade negra, mostrar para as pessoas que o respeito é devido e que a gente pode construir uma sociedade onde a convivência democrática seja um principio”.

Macaé também ressaltou uma pauta fundamental da luta pela igualdade racial. “A luta pela garantia do acesso à educação foi fundamental. É sempre bom lembrar que no final do século 19 a população negra era proibida de estudar. Isso fez com que ao longo do século 20 a gente nunca conseguisse ter condições de igualdade entre negros e brancos na educação, por exemplo. É importante políticas não só de acesso à educação, mas políticas de permanência e garantia da qualidade da educação. É preciso trabalhar na desconstrução do racismo”, conclui.

Cerca de 800 estudantes participaram da caminhada. Foto: Reinaldo Soares ACS/SEE
Cerca de 800 estudantes participaram da caminhada. Foto: Reinaldo Soares ACS/SEE

Olemar Andrade Alves é professor de Língua Portuguesa da Escola Estadual Tito Fulgêncio, em Belo Horizonte. Para o educador, a discussão da temática é de extrema importância. “É na escola pública que temos o maior contingente de negros, por isso é importante frisar esta realidade com os nossos alunos. Foram 300 anos de escravidão e vemos o quanto é difícil o acesso do negro aos bens sociais”.

Essa foi a primeira vez que Marcelo Henrique Rocha Fernandes participou da caminhada e aprovou atividade. “Achei incrível. Tudo estava ótimo”, contou o estudante do 4º ano do Ensino Fundamental do Instituto de Educação de Minas Gerais. Durante a caminhada, a aluna do 4º ano do Ensino Fundamental da Escola Estadual Bueno Brandão, em Belo Horizonte, Maria Eduarda Oliveira Ramalho, deu seu recado. “É preciso respeitar todas as raças e culturas”.

A “II Caminhada da Promoção da Igualdade Racial” foi realizada pela Secretaria de Estado de Educação (SEE), por meio da Superintendência de Modalidades e Temáticas Especiais de Ensino. Participaram da Caminhada alunos e professores das escolas estaduais Afonso Pena, Augusto de Lima, Barão do Rio Branco, Governador Milton Campos (Estadual Central), Pedro II, Tito Fulgêncio, Instituto de Educação, e Bueno Brandão.

Lançamento

Durante a II Caminhada, foi lançada uma edição do livro “Olhares Cruzados”, coletânea de fotografias e impressões trocadas entre estudantes do município de Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e da cidade de Obuasi, localizada em Gana, na África. O trabalho contou com a participação do fotógrafo ganês Nii Obodai, que acompanhou estudantes dos dois países (Gana e Brasil) em seus registros fotográficos de pessoas e lugares, reunidos na coletânea. Exemplares do livro “Olhares Cruzados” serão distribuídos para todas as escolas da rede estadual no início de 2017.

Diretora do Instituto de Educação foi a primeira a receber um exemplar do livro “Olhares Cruzados” . Foto: Reinaldo Soares/ ACS SEE
Diretora do Instituto de Educação foi a primeira a receber um exemplar do livro “Olhares Cruzados” . Foto: Reinaldo Soares/ ACS SEE

A escolha dessas duas cidades para participar do projeto deve-se à vocação histórica de ambas com relação ao ouro. Obuasi encontra-se a 60 km de Kumasi, que sediou o Império Ashanti famoso pela exploração do outro. Sabará foi durante o Ciclo do Ouro (séc. XVII e XVIII) um importante polo de extração desse mineral.

O Instituto de Educação de Minas Gerais foi a primeira escola a receber um exemplar do livro e a diretora já sabe como a publicação será inserida nas atividades. “Nós temos aqui 4.600 alunos e uma diversidade muito grande. É praticamente uma cidade. Aqui o tema é trabalhado dentro dos projetos pedagógicos durante o ano inteiro e esse material que estamos recebendo vai nos ajudar no desenvolvimento das atividades”, conta.

Sentimentos da Terra

No final da caminhada, os estudantes tiveram a oportunidade de conhecer a exposição itinerante “Sentimentos da Terra”, que é instalada em um Caminhão Museu e que conta a história das lutas pela terra no Brasil. Com uso de tecnologia avançada e interativa, o Museu traz a história da reforma agrária no Brasil, representada por seus principais personagens, como Chico Mendes, Leonel Brizola, entre outros. A ação faz parte do calendário de atividades da Secretaria de Estado de Educação (SEE) para o Mês da Consciência Negra.

O Caminhão Museu é voltado para toda a gama de público e combina descoberta, aprendizado e troca de conhecimento. Seu conteúdo resulta de pesquisa realizada por uma equipe conjunta de professores e estudantes da Universidade Federal de Minas Gerais, com a coordenação acadêmica da professora Heloisa Starling e do Projeto República: núcleo de pesquisa, documentação e memória. O projeto visual, a museografia e a realização dos vídeos de animação foram coordenadas por Gringo Cardia.

Estudantes e professores visitaram a exposição itinerante “Sentimentos da Terra”. Foto: Reinaldo Soares/ ACS SEE
Estudantes e professores visitaram a exposição itinerante “Sentimentos da Terra”. Foto: Reinaldo Soares/ ACS SEE

Afroconsciência

A Campanha Afroconsciência tem como base a Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que tornou obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares no Brasil. De acordo com o texto, os estudos de história e cultura afro-brasileira devem ser ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, de forma a resgatar a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política brasileira. A implementação da Lei 10.639 significa uma ruptura profunda com um tipo de postura pedagógica que não reconhece as diferenças resultantes do processo de formação nacional brasileiro.